A Persistência do trabalho infantil na indústria e na agricultura <font color="red"><RED>Consultar disponibilidade </RED></font><P> <p>, Editora Insular

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A Persistência do trabalho infantil na indústria e na agricultura Consultar disponibilidade


[25,5 cm X 18]

A Persistência do trabalho infantil na indústria e na agricultura <font color=\"red\"><RED>Consultar disponibilidade </RED></font><P> <p>
Santa Catarina no contexto brasileiro

Organizadoras: Bernadete Wrublevski Aued
Célia Regina Vendrani

ISBN: 978-85-7474-449-0

Páginas: 128 il.
Peso: 610g
Ano: 2009

Autores:
Bernadete Wrublevski Aued
Célia Regina Vendrani
Cláudio Marcelo Garcia de Araújo
Daiana Castoldi Lencina
Fabiana Duarte,
José Kaulimg Sobrinho
Maria dos Anjos Viella,
Ricardo Selke
e Soraya Franzoni Conde.

No século XIX, as crianças trabalhavam majoritariamente em espaços fabris que concentravam meios de produção, matéria –prima e força de trabalho. Nesse espaço eram realizadas as várias etapas do processo produtivo até a montagem final do produto. A criança tinha jornadas de 17 horas diárias, e os contratantes solicitavam menores com aparência física que permitisse a adulteração das idades. As crianças sofriam de deficiências e deformidades oriundas das más condições de vida e da exploração precoce.

Hoje, elas continuam trabalhando, mas os espaços estão pulverizados e neles ocorrem processos fragmentados de produção de mercadorias. O trabalho da criança pode até ocorrer com a aparência de serviços gerais, mas é essencial à produção e/ou à manutenção da forma de produzir mais-valia.

Em Santa Catarina, o trabalho infantil na indústria de calçados, na do fumo, na produção e no beneficiamento da cebola ou do tomate, em todos, tal como num espelho partido, reflete o vínculo indissociável entre o local e o global. O calçado, a cebola, o tomate ou o fumo espelham a feição complexa dos nexos sociais do trabalho que os constitui e que torna imprecisos os contornos que nos permitiriam dizer que são produtos de uma indústria ou de uma agricultura.

Diz-se que o trabalho infantil encontra-se no campo, como se este fosse a antítese da cidade. No campo e na cidade, nestes espaços de limites tênues atualmente, a presença das crianças nos processos de trabalho e de produção revela a face social hedionda deste início de milênio.

Nesse processos, a superioridade do trabalho da criança é defendida como uma vantagem técnica, entre outras, devido ao predomínio de operações manuais e de adequação da atividae com a baixa estatura. Mas a vantagem cai por terra quando desvelamos os resultdos da inserção precoce da força de trabalho, problema de cuja gravidade nem apr´pria criança tem a dimensão, e quando tiver, se tiver, será tarde demais.

Sou um produto da criança que fui.
Continuo sendo neto dos meus avós.
Tenho sido capaz de mantê-los vivos até hoje.
José Saramago

As crianças da classe trabalhadora se chamam “menores”, enquanto que as crianças da classe média se chamam crianças. Marilena Chauí

Resumo: O livro nasceu da necessidade de explicar o trabalho infantil no campo, contexto no qual as crianças estão trabalhando muito, mais do que imaginamos à primeira vista. A pesquisa revelou que as crianças estão trocando a infância pela vida adulta e muitas delas se inserem no que a OIT (Organização Internacional do Trabalho) denomina de “piores formas de trabalho infantil”, ou seja, trabalhos que mutilam, deixam seqüelas físicas e abortam a possibilidade de se tornarem adultos preparados para trabalhos qualificados. Analisamos algumas situações que envolvem trabalho infantil entre produtores de fumo, de cebola, de tomate e de calçados, todos em Santa Catarina. Neles constatamos a defesa de crianças no trabalho devido à sua baixa estatura (as crianças são mais adaptadas para a coleta das primeiras folhas do fumo, “o baixeiro”, que assegura à família renda em dinheiro, após um longo tempo de investimentos na lavoura). No plantio da cebola, a inserção da criança ocorre mediante a flexibilidade da coluna cervical que se enverga até os dedos tocarem o chão. No plantio da cebola o solo é arado com o auxílio de um micro trator. Em seguida, a muda de cebola é plantada, manualmente, uma por uma, tudo isso com a coluna envergada sob a forma da letra “u” invertido, um procedimento que se repete, num dia, 15 000 vezes e numa jornada que começa antes das 7 horas e vai, seguramente, até 20 horas, nesta etapa do processo. Nestes contextos, o trabalho infantil é defendido como princípio educativo e, ademais, com vantagens técnicas, por exemplo, por sua agilidade e envergadura de coluna. Como questão central delimitamos entender a pertinência de um ordenamento legal que proíbe o trabalho infantil e uma sociedade que tolera o referido trabalho e, muitas vezes, o incentiva. Por que a sociedade consente em utilizar a força de trabalho prematuramente a ponto de destruir seu potencial desenvolvimento? Nestes processos chama a atenção a defesa do trabalho manual como valor pedagógico quando, na atualidade, a vida se pauta pela aplicação consciente da ciência; que o trabalho precoce inibe o desenvolvimento das capacidades físicas e psicológicas superiores da criança na medida em que é negado o tempo da brincadeira com o corpo, dos jogos e de vivência de papéis sociais no “faz de conta”; que a exploração infantil no trabalho não surge como um fenômeno isolado, mas como singularidade do contexto geral de reprodução da força de trabalho sob a égide da produção destrutiva. A presença de trabalho infantil, como explica Mészáros (2006), paradoxalmente, revela o aumento da destruição do pressuposto do capital. Portanto, o que parece estar em questão é a “educação do amanhã”: quantos cérebros inventivos irão sair das fumacentas carvoeiras, das fileiras intermináveis de cebola, maçã, fumo ou tomate? Do corte da cana de açúcar? Que educação e que sociedade devem ser criadas para que no futuro não tenhamos crianças exploradas no trabalho?

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