A Linguagem Falada Culta na Cidade de Porto Alegre: Diálogos entre dois informantes, Editora Insular

R$49,00

A Linguagem Falada Culta na Cidade de Porto Alegre: Diálogos entre dois informantes
[14 X 21]

A Linguagem Falada Culta na Cidade de Porto Alegre: Diálogos entre dois informantes
Organizador: José Gaston Hilgert

ISBN: 978-85-7474- 486-5
Páginas: 344
Peso: 550g
Ano: 2009

Este livro divulga transcrições de diálogos entre dois informantes, do Projeto NURC/RS, gravados pelas pesquisadoras Aida Wailer Ferrás, Clarisse Kriescher Dias, Maria de Fátima Noronha Dantas, Maria Helena Sperb, Rosa Maria Hesse Ribeiro, Susi de Ávila Berni e Vera Santos. Os diálogos aconteceram em diferentes situações e tratam de temas diversos. Para os registros das falas, os informantes foram distribuídos, segundo os critérios do projeto, em três faixas etárias: de 25 a 35 anos; de 36 a 55 anos; e de 56 ou mais. No livro, cada diálogo é introduzido pelas informações que o identificam e caracterizam. Põe-se, assim, à disposição dos estudiosos um rico e variado material linguístico, destinado aos estudos da língua portuguesa em suas manifestações faladas.

Este livro A linguagem falada culta na cidade de Porto Alegre: diálogos entre dois informantes – como os dois que o antecederam: diálogos entre informante e documentador e elocuções formais – divulga textos, destinados à descrição e ao estudo da língua portuguesa em sua manifestação falada. São, por isso, textos falados.
O texto falado caracteriza-se pelo fato de ser essencialmente processo e não produto. Segundo Rath (Kommunikationspraxis: Analysen zur Textbildung und Textgliederung im gesprochenen Deutsch. Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1979: 20), o texto falado define-se como sendo o próprio ato de “produzir o texto”. Como processo, o planejamento do que dizer e a formulação desse dizer não são etapas sucessivas, mas simultâneas. O planejamento ocorre, na medida em que a formulação acontece. Nas falas informais, nem mesmo as intenções comunicativas são anteriormente planejadas. Quanto muito tem o falante uma vaga noção do que vai dizer ao iniciar o seu turno. Em geral, ele toma a palavra e segue falando com destino incerto que só se definirá na evolução dos turnos, ou seja, na sequência da formulação. Em suma, os propósitos comunicativos são construídos na e pela formulação, e o planejamento de uma atividade comunicativa só se completa com a construção do enunciado concluída.
Essa simultaneidade é responsável pelo fato de o fluxo da formulação textual não acontecer de forma fluente e continuada. As descontinuidades ou disfluências são da natureza do processamento on line do texto falado. Consistem em interrupções do fluxo formulativo atribuídas a diferentes fatores, com destaque ao fato de o falante não encontrar uma alternativa de formulação imediata e definitiva, o que identifica, segundo Antos (Grundlagen einer Theorie des Formulierens. Tübigen, Max Niemeyer, 1982: 160), um “problema de formulação”. Schegloff, Jefferson & Sacks (The preference for self-correction in the organization of repairs in conversation. Language 53, 1977: 362) lembram que a construção do texto falado é essencialmente marcada pelo constante surgimento e pela consequente solução de problemas. Segundo eles, cada elemento linguístico pode ser considerado uma “fonte de problemas” (trouble source). Entendem por “problema” não somente “erros” ou “falhas” na formulação, mas também a procura de uma palavra adequada, anunciada por hesitações e outros fenômenos. São também problemas enunciados incompreensíveis ou de difícil compreensão que acabam sendo reformulados pelo falante, por iniciativa própria ou de seu interlocutor, com vistas a assegurar a intercompreensão conversacional. Às vezes, a simples impressão de o ouvinte não vir a compreender algum enunciado pode constituir um problema para o falante, impelindo-o a reformulações preventivas.
Essas breves considerações evidenciam que o texto falado, no dizer de Antos (1982: 183), mantém explícitos os traços de seus status nascendi. Nisso ele se distingue nitidamente do texto escrito, no qual, ao menos em grande parte, as pegadas do processo de construção vêm apagadas”.
José Gaston Hilgert

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