Crenças, Sacralidades e Religiosidades, Editora Insular

R$39,00

Crenças, Sacralidades e Religiosidades
[16 X 23 cm]

Crenças, Sacralidades e Religiosidades
Entre o consentido e o marginal
Artur César Isaia (organizador)
Código de barras: 9788574744179

ISBN: 978-85-7474-417-9
ANO: 2009
Páginas: 280
Peso: 470g

Crenças, Sacralidades e Religiosidades é um livro que trata das diferentes formas de vivência da religiosidade (no Brasil e em Portugal) sem as amarras da sociologia clássica, cujo conceito de religião já não contempla a atual flexibilização religiosa e as inúmeras crenças. Daí o instigante subtítulo “Entre o consentido e o marginal”. Nele são abordados o judaísmo, a ambigüidade do catolicismo português – o divino e o diabólico, os amores místicos e carnais, as práticas de feitiçaria, as concepções mágicas e as recorrências diabólicas –, o mitológico de hoje, a idiossincrática “ortodoxia” católica, a ubanda, as substâncias psicoativas nas experiências religiosas, a cultura da Nova Era, a literatura evangélica, o homossexualismo na Igreja católica brasileira. E a obra se complementa teorizando a emergência da “Religião Civil”, os jogos divinatórios na sociedade moderna, a espiritualidade Sufi.

Meu amigo Artur Cesar Isaia, que vem ocupando lugar de destaque nos estudos da religião em língua portuguesa, e isto não apenas no campo da História, de que é originário, sugeriu que eu fizesse a orelha do seu novo livro, Crenças, Sacralidades e Religiosidades: Entre o consentido e o marginal, que vem somar-se a outras publicações das quais, em data recente, vem sendo organizador, entre elas Orixás e Espíritos: O Debate Interdisciplinar na Pesquisa Contemporânea (2006). Fiquei deliciado com a leitura da nova coletânea. E isto em primeiro lugar pelo que ouso denominar a “catolicidade” da sua organização. Não é que penda mais para um tipo de religião do que para outro. Não é um livro católico no sentido convencional (embora não faltem artigos sobre a Igreja Católica ao organizador), mas não deixa de ser “católico” no sentido original do termo, isto é, pela universalidade de interesses, cobrindo, através das diversas contribuições, assuntos que vão do judaismo, passam pelo sincretismo, entram na religiosidade afro e indo-brasileira, evangelismo, Nova Era, sufismo, sacrifício, orientações sexuais. É um livro que se dirige tanto ao leitor não especializado, mas interessado no panorama histórico e na situação atual das crenças no Brasil (mas também em Portugal), como aos mais especializados, voltados para a interpretação teórica da evolução das religiosidades, do ponto de vista histórico, sociológico e antropológico. E este é outro aspecto da “catolicidade” com que é organizado. Contém curiosidades, mas não se cinge à descrição do pitoresco, do exótico ou do arcaico. Busca também, na medida em que as ciências sociais e históricas respondem a essa pergunta, saber porque é assim que as coisas vêm a acontecer e não de outro modo, o que é a questão específica da ciência.
Roberto MOTTA, Ph.D.
GSRL (Groupe de Sociologie des Religions et de la Laicite), Paris

Autores
Ronaldo Vainfas
Mary Del Priore
José Pedro Paiva
Monique Augras
Gizele Zanotto
Artur Cesar Isaia
Alberto Groisman
Sônia Weidner Maluf Bernardo Lewgoy
Marco Antonio Torres
Fernando Catroga
Marcelo Ayres Camurça Silas Guerriero
Joseph Rega

Apresentação

Crenças, sacralidades e religiosidades: entre o consentido e o marginal
Artur Cesar Isaia
Este livro surgiu da interlocução profissional mantida com investigadores interessados em refletir sobre o caleidoscópio representado pelas múltiplas vivências da religiosidade. Os trabalhos aqui reunidos revelam percepções sobre a temática das religiões/religiosidades, totalmente integradas ao momento atual, marcado por uma “implosão” no conceito tradicional de religião. Nesse processo, se reconhece a legitimidade e a pertinência de diferentes formas de vivência da religiosidade, as quais, o conceito de religião, herdado da sociologia clássica, não dá mais conta. O mundo atual, marcado por uma flexibilização religiosa e das crenças trouxe, igualmente, essa nova sensibilidade para com o assunto, revelada nos trabalhos aqui reunidos. Essa nova sensibilidade para a captação do fenômeno religioso caminha na direção da liberação das amarras institucionais, tornando seu estudo menos previsível. Daí o porquê deste livro abrigar pesquisadores sensíveis às múltiplas possibilidades de vivências da religiosidade e do inusitado possível quando o assunto discutido é o sagrado.
Três capítulos abordam ângulos destas vivências e crenças, nem sempre presentes na literatura especializada. O primeiro aborda o mundo luso-brasileiro, o segundo a realidade brasileira, além de um terceiro capítulo, que traz uma discussão mais teórica. Em todos esses casos afirma-se o fascínio por algo, que, mesmo inserido na cotidianidade, é aceito como ultrapassando a experiência cotidiana. Com o fascínio do sagrado, estamos frente a fenômenos capazes de serem aceitos em sua alteridade, ultrapassando toda a capacidade humana em apreendê-los. Daí as normas, os ritos, os tabus, considerados provenientes de forças misteriosas e não humanas, capazes de amparar, tanto os encontros, as assimilações diacrônicas, quanto às formas mais acabadas de violência religiosa e fundamentalismos, tão presentes nos dias que correm.
Em relação a Portugal, nada mais distante de sua configuração histórico-religiosa do que uma apreensão uniformemente pintada com as cores do catolicismo institucionalizado. Isso vale, tanto para o catolicismo medieval, quanto para o pós-medieval, malgrado o ideal expansionista e uniformizador da fé da monarquia lusa. Já Gilberto Freyre, abordou o lado essencialmente compósito do catolicismo português, ao descrever de maneira notavelmente plástica a devoção pública à eucaristia, que em Portugal convivia, conforme a época analisada, com figuras da mitologia clássica e danças profanas . É nessa realidade que se inserem os trabalhos de Ronaldo Vainfas, Mari del Priori e José Pedro Paiva. A pesquisa de Vainfas mostra o judaísmo, sujeito a jogos e composições culturais, ao abordar a minoria sefaradita na diáspora, particularmente no Brasil, sob o domínio holandês. Priori aborda a ambigüidade do catolicismo barroco português, analisando a presença do divino e do diabólico, dos amores místicos e carnais, bem como das práticas de feitiçaria, compondo o cotidiano dos conventos portugueses do século XVIII. Já Paiva, mostra o caráter heterodoxo da vivência do catolicismo português, eivado de concepções mágicas e até mesmo de recorrências diabólicas na Portugal dos séculos XVI e XVIII.
Os estudos referentes ao Brasil, enfocam a temática do livro a partir de percursos teóricos e realidades empíricas próprias, como uma religiosidade essencialmente vivenciada no plural. Se para os dias que correm, é impossível resumir o campo religioso à vivência do que tradicionalmente a sociologia pontuou como “religião”, o passado brasileiro já revelava este mesmo campo religioso, como uma relação desigual entre crenças, nem todas sistematizadas, nem todas institucionalizadas, nem todas reveladoras de um complexo mundo de abstrações teológicas e de hierarquias sacerdotais. Com muita propriedade, Pierre Sanchis fala em uma histórica tendência, entre nós, à fuga do princípio radical da lógica: o de identidade. Aprende-se a ser isso e aquilo ao mesmo tempo, aprofundando-se a vivência de uma religiosidade porosa, feita de encontros, fluências e composições. É nessa realidade que a plasticidade da vivência da religiosidade afirma-se para podermos constatar, desde o inusitado trânsito mitológico detectado por Monique Augras num cemitério carioca nos dias de hoje até o projeto de uma idiossincrática “ortodoxia” católica, plasmado pela Sociedade Brasileira em Defesa da Tradição Família e Propriedade, estudado por Gizele Zanotto. É abordada, igualmente, a plasticidade da Umbanda brasileira, capaz de ressignificar o Vargas perseguidor das religiões afro-brasileiras, em benemérito das mesmas, o que é analisado por mim. Isso tudo sem falar na presença das experiências religiosas baseadas na ingestão de substâncias consideradas psicoativas, encaradas como “sacramentos enteógenos”, como Groisman estuda em capítulo dedicado ao Santo Daime em Santa Catarina e ainda os percursos seguidos por aqueles que buscam a chamada “cultura da Nova Era” no Brasil, nos quais Sônia Maluf detecta a presença ativa da bricolagen, redefinindo-os continuamente. Por outro lado, uma nova faceta das religiões evangélicas no Brasil é abordada por Bernardo Lewgoy, ao estudar a literatura evangélica, revelando a emergência discursiva da sexualidade, da auto-ajuda e da psicologia. Para além das normas eclesiásticas, com as quais convivem, compõem-se e transgridem, a vivência de padres homossexuais na Igreja Católica no Brasil é abordada por Marco Antonio Torres. Este fenômeno, certamente não restrito à realidade brasileira, ajuda a aprofundar a reflexão sobre as múltiplas faces de uma religiosidade não redutível a modelos essencialistas e normas canônicas.
Um último capítulo reúne apreensões de viés mais teórico. Inclui o trabalho de Fernando Catroga sobre a emergência da chamada “Religião Civil” no ocidente, capaz de reler o estatuto laico, pós-revolucionário, recorrendo a argumentos teológicos, os quais atualiza. Em uma direção temática semelhante encaminha-se o capítulo escrito por Marcelo Ayres Camurça, analisando a visibilidade da “Religião Civil”, através dos rituais cívico-religiosos, capazes de redefinirem as próprias formas tradicionais de expressão política. Já o capítulo de Silas Guerreiro enfoca a presença dos jogos divinatórios na sociedade moderna; nesta mesma sociedade que se afastou das formas institucionalizadas de religião, de suas certezas, e que agora volta-se vorazmente para tudo o que se mostra capaz de restituir e avivar a perenidade do mito. Por fim, o trabalho de Joseph Rega, investiga sobre um assunto pouco abordado nas reflexões sobre o campo religioso: a espiritualidade Sufi, com suas interfaces e peculiaridades frente ao Islamismo, do qual revela uma leitura ascética e poética.
Enfocar aspectos nem sempre aparentes e abordados nas vivências do sagrado foi possível por contarmos com interlocutores, como os autores aqui presentes, além do comprometimento de Nelson Rolim de Moura, sem cujo envolvimento seria impossível organizarmos esta obra.

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