A insubordinação fundadora: breve história da construção do poder pelas nações, Editora Insular

R$48,00

A insubordinação fundadora: breve história da construção do poder pelas nações
[16 X 23 cm]

A insubordinação fundadora: breve história da construção do poder pelas nações
Autor: Marcelo Gullo

Prefácio Hélio Jaguaribe

200 páginas
Peso: 290g
Ano: 2014
Insular Livros

ISBN: 978-85-7474-785-9

Este livro é um estudo histórico e analítico de um intelectual militante latino-americano sobre as relações internacionais a partir da periferia. Mostra como países periféricos, como os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão e a China, deixaram sua condição periférica e tornaram-se autônomos e importantes interlocutores internacionais independentes.

Entre os vários e interessantes aspectos observados no estudo de Marcelo Gullo: o seu relevante sistema de categorias analíticas – limiar de poder, estrutura hegemônica, subordinação ideológica, insubordinação fundadora −, a sua ampla formação histórica e a sua tese central de que todos os processos de emancipação bem-sucedidos resultaram de uma conveniente conjugação de uma atitude de insubordinação ideológica contra o pensamento dominante e de um eficaz impulso estatal.

É uma viagem rumo às fontes das quais emana a atual configuração do poder mundial e grande parte dos fenômenos mais importantes do cenário internacional. Analisa, também, as possibilidades que a América Latina tem de realizar esta “insubordinação fundadora” e, com o apoio do Estado, sair de sua condição periférica para se converter, desse modo, em um importante interlocutor internacional independente. “Trata-se, então, de pensar a partir da periferia para sair da periferia. E só poderemos sair da periferia juntos”, assevera o autor deste livro, acentuando a necessidade da unidade latino-americana.

Como ressalva no prefácio Hélio Jaguaribe: “Considero este livro de Marcelo Gullo uma leitura indispensável para todos os sul-americanos, começando pelos seus líderes políticos”.


O autor deste livro identifica uma conexão entre o mundo acadêmico e o mundo do poder, e alerta que as lições que se extrai da história são, necessariamente, distintas das buscadas pelos estudiosos dos países centrais, porque nossas necessidades são diferentes. Temos que aprender a olhar a história com nossos próprios olhos e a partir da análise dessas experiências históricas, desde o começo do processo de globalização − há mais de quinhentos anos − até os nossos dias, e retirar as lições que nos ajudem a explicar e superar o nosso presente, que nos sejam de utilidade para “sair da periferia”.

Portanto, em oposição ao pensamento dominante emanado dos centros de excelência dos países centrais, Marcelo Gullo desenvolve suas teorias de “insubordinação fundadora” e do “impulso estatal”, e analisa ao longo da história o sucesso dos processos de industrialização promovidos pelos Estados Unidos, Alemanha, Japão e China. Mostra-nos claramente que saíram da condição periférica por meio de uma vigorosa contestação ao pensamento dominante do livre-comércio, de uma insubordinação ideológica, com o apoio do Estado e a adoção de um aceitável protecionismo de seu mercado interno, conseguindo assim promover uma deliberada política de industrialização.

Hoje, esses mesmos países ocultam a importância que o impulso estatal teve na construção de seus respectivos poderes nacionais, ao mesmo tempo em que criticam, ridicularizam e fustigam qualquer Estado da periferia que queira seguir os passos que eles mesmos deram em seu momento para alcançar sua situação atual de poder. Ou seja, através da propaganda ideológica, engendrada em algumas de suas universidades e difundida em todo o planeta pelos meios de comunicação, procuram impedir que os países periféricos utilizem os mesmo meios que usaram para alcançar suas respectivas autonomias nacionais e, depois, para subir ao topo do poder mundial.

Esclarecido este cenário internacional, o autor discute como a América do Sul, aproveitando as oportunidades, poderá superar sua condição de região periférica e converter-se em um importante interlocutor internacional independente. Esta obra ganhou o Prêmio Oesterheld em 2008 e foi adotada em 2014 pelo Ministério de Relações Exteriores da República Bolivariana da Venezuela como marco teórico de sua política exterior.

Marcelo Gullo é argentino nascido em 1963. Aos 18 anos já estava na luta contra a ditadura militar que, em 1976, havia usurpado o poder no país. Em 1983 participou da fundação do Centro de Estudios para la Política Exterior Argentina (CEPEA).
Discípulo do politicólogo brasileiro Hélio Jaguaribe e do sociólogo e teólogo uruguaio Alberto Methol Ferré. Tem doutorado em Ciência Política pela Universidade do Salvador, em Buenos Aires, e licenciatura em Ciência Política pela Universidade Nacional de Rosário, ambos na Argentina. Tem bacharelato em Estudos Internacionais pela Escola Diplomática de Madrid, na Espanha, e mestrado em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais da Universidade de Genebra, na Suíça.
Também na Argentina, professor do mestrado em Estratégia e Geopolítica da Escola Superior de Guerra e da Universidade Nacional de Lanús, assessor internacional da Federação Latino-americana de Trabalhadores da Educação e da Cultura (Flatec) e fundador e dirigente do Instituto Nacional de Revisionismo Histórico Nacional e Ibero-americano “Manuel Dorrego”.

Além de muitos artigos, publicou vários livros, entre eles: Argentina-Brasil: la gran oportunidad (prefácio de Hélio Jaguaribe e epílogo de Alberto Methol Ferré, Argentina, Editora Biblos, 2005)
Argentina-Brasil: a grande oportunidade (Brasil, prefácio de Hélio Jaguaribe, Mauad Editora, 2006)
La insubordinación fundante. Breve história de la construcción del poder de las naciones (Argentina, Editora Biblos, prefácio de Hélio Jaguaribe, 2 ª edição, 2010)
Le temps des Etats continentaux? Les nations face à la mondialisation: situation des pays latino-américains (prefácio de Bernard Seiller, França, Editora Pierre Téqui, 2010)
Insubordinación y desarrollo: las claves del éxito y el fracaso de las naciones (prefácio de Aldo Ferrer, Argentina, Editora Biblos, 2012)
La costruzione del Potere. Storia delle nazioni dalla prima globalizzazione all’imperialismo statunitense) (prefácio de Hélio Jaguaribe, Itália, Editora Vallechi, 2012)
La historia oculta: la lucha del pueblo argentino por su independência de império inglês (prefácio de Pacho O’Donnel, Argentina, Editora Biblos, 2013)
Conversaciones com Alberto Methol Ferré (Editora Fabro, 2013)
Haya de la Torre: la lucha por la Patria Grande (apresentação de Ana Jaramillo, Argentina, Editora da Universidade Federal de Lánus, 2014)

No prelo:

Insubordinação e desenvolvimento: as chaves do sucesso e do fracasso das nações (prefácio de Aldo Ferrer, Brasil, Editora Insular, 2014)

Prólogo

Hélio Jaguaribe
Sociólogo, cientista político e escritor brasileiro. Foi empresário, membro do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) e secretário geral do Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (Ibesp). Lecionou na Universidade de Harvard, Universidade de Stanford, Massachusetts Institute of Technology e Universidade Cândido Mendes.

Com A insubordinação fundadora, Marcelo Gullo alcança plena e brilhante realização de seu propósito de estudar, histórica e analiticamente, a partir da periferia, as relações internacionais. O conceito de periferia, para Gullo, adquire um duplo significado: se trata, por um lado, de uma perspectiva, e, por outro, de um conteúdo. Como perspectiva, corresponde ao olhar do mundo por parte de um intelectual sul-americano, a partir do Mercosul e, mais restritivamente, do âmbito argentino-brasileiro. Como conteúdo, corresponde à análise de como países periféricos, em geral, e, mais especificamente, os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão e a China – citados por ordem cronológica de suas respectivas revoluções nacionais – conseguiram sair de sua condição periférica e se converteram em países efetivamente autônomos, em importantes interlocutores internacionais independentes.

Este excelente livro conduz, em sua conclusão, a uma relevante discussão da situação da América do Sul e de como a região poderá, por sua vez, superar sua condição periférica e se converter, também – como fizeram os mencionados países –, em um importante interlocutor internacional independente. Creio que haveria que destacar neste magnífico estudo, três aspectos principais: 1) seu relevante sistema de categorias analíticas; 2) sua ampla informação histórica; e 3) sua tese central de que todos os processos emancipatórios de sucesso foram resultado de uma conveniente conjugação de uma atitude de insubordinação ideológica para com o pensamento dominante e de um eficaz impulso estatal.

De modo geral, Gullo se situa no âmbito da escola realista de Hans Mor-genthau e Raymond Aron. São as condições reais de poder que determinam o poder dos Estados, incluídas nessas condições a cultura de uma sociedade e sua psicologia coletiva. Assim contempladas as relações internacionais, se observa, desde a Antiguidade oriental até os nossos dias, o fato de que se caracterizam por serem relações de subordinação nas quais se diferenciam povos e Estados subordinadores e outros subordinados. Este fato leva à formação, em cada ecúmeno e em cada período histórico, de um sistema centro-periferia, marcado por uma forte assimetria, na qual provêm do centro as diretrizes reguladoras das relações internacionais, e para este se encaminham os benefícios, enquanto a periferia é fornecedora de serviços e bens de menor valor e fica, deste modo, submetida às normas reguladoras do centro.
As características que determinam o poder dos Estados e as relações entre centro e periferia mudam historicamente, adquirindo uma notável diferenciação a partir da Revolução Industrial. Para mencionar só um exemplo – o do mundo ocidental da Idade Moderna –, se pode observar que a hegemonia espanhola dos séculos XVI a XVII, seguida pela francesa, até meados do século XVIII, se fundava, economicamente, em um mercantilismo com base agrícola e, militarmente, na capacidade de sustentar importantes forças permanentes.

A partir da Revolução Industrial, se produz uma profunda mudança nos fatores de poder, e a Grã-Bretanha, como única nação industrial durante um longo período, passou a deter uma inegável hegemonia. Algo similar acontecerá, já no século XX, com os Estados Unidos. Nesse marco histórico, o estudo de Gullo mostra como, para compreender os processos em curso, é necessário empregar um apropriado sistema de categorias. Entre essas categorias, sobressaem as de “limiar de poder”, que determina o nível mínimo de poder necessário para participar do centro, a de “estrutura hegemônica”, a de “subordinação ideológica” e a de “insubordinação fundadora”.

Uma das mais significativas observações deste livro se refere ao fato de que, a partir de sua industrialização, a Grã-Bretanha passou a agir com deliberada duplicidade. Uma coisa era o que efetivamente fazia para se industrializar e progredir industrialmente, e outra, o que ideologicamente propagava, com Adam Smith e outros porta-vozes. Algo similar a aquilo que, atualmente, fazem os Estados Unidos.

A industrialização britânica, incipiente desde o renascimento isabelino e fortemente desenvolvida desde fins do século XVIII com a Revolução Industrial, teve, como condição fundamental, o restrito protecionismo do mercado doméstico e o conveniente auxílio do Estado ao processo de industrialização. Obtendo para si bons resultados dessa política, a Grã-Bretanha se esmerará em sustentar, para os outros, os princípios do livre-comércio e da livre atuação do mercado, e condenará, como contraproducente, qualquer intervenção do Estado. Imprimindo a essa ideologia de preservação de sua hegemonia as aparências de um princípio científico universal de economia, conseguiu com sucesso convencer por sua originalidade, por um longo tempo (de fato, mas tendo como centro os Estados Unidos, até os nossos dias), aos demais povos que, assim, se constituíram, passivamente, em mercado para os produtos industriais britânicos e depois para os estadunidenses, e permaneceram como simples produtores de matérias-primas.

Nesse contexto, Gullo apresenta outra de suas mais relevantes contribuições: suas teorias da “insubordinação fundadora” e do “impulso estatal”. Neste sentido, analisa os bem-sucedidos processos de industrialização conseguidos no curso da história por países como os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão e a China. Mostra que a superação da condição periférica dependeu, em todos os casos, de uma vigorosa contestação ao dominante pensamento do livre-comércio, identificando-o como ideologia de dominação e, mediante uma “insubordinação ideológica”, conseguiu promover, com o impulso do Estado e com a adoção de um satisfatório protecionismo do mercado doméstico, uma deliberada política de industrialização. Assim o fizeram os Estados Unidos com a tarifa Hamilton de 1789, à qual seguiram novas e mais fortes restrições tarifárias, como, para mencionar uma das mais notórias, a tarifa Mackinley de 1890. Assim, também, se conduziu a Alemanha de Friedrich List, começando com o Zollverein de 1844. O Japão, mais tardiamente, seguirá o mesmo exemplo com a Revolução Meiji de 1868. A China, finalmente, começará a fazê-lo com Mao Tsé-Tung, embora sua política sofra negativas perturbações ideológicas com o “Grande salto adiante” (1978-1988) e depois com a “Revolução Cultural” de 1966 até, praticamente, a morte de Mao em 1976. Coube, assim, a esse extraordinário estadista, Deng Xiaoping, adotar racionalmente, em seu período de governo (1978-1988), o princípio do impulso estatal, combinando-o com uma política de liberdade de mercado “seletiva” sob a orientação do Estado. Graças a isso, a China mantém, desde então e ininterruptamente, taxas anuais de crescimento econômico da ordem de 10 por cento, e já chega a se converter na terceira economia do mundo.

Este esplêndido estudo de Gullo culmina com reflexões extremamente pertinentes acerca das possibilidades que a América do Sul tem de realizar essa “insubordinação fundadora” e, com o apoio do Estado, sair de sua condição periférica para se converter, desse modo, em um importante interlocutor internacional independente. Considero este livro de Marcelo Gullo uma leitura indispensável para todos os sul-americanos, começando pelos seus líderes políticos.

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